- Fui a sua casa e Camille me atendeu, com uma camisola rosa e com o rosto aparentando que acabará de acordar.
- Ah sim, claro. Ela esta morando comigo por uns tempos até o apartamento dela, que está em obras, ficar pronto.
Um leve sorriso se formava em seu rosto. O sonho que havia se transformado em pesadelo, voltará a ser sonho novamente. Que tola ela havia sido. Talvez tudo já estivesse escrito no livro desse tal "destino". Talvez aquilo tudo era apenas uma conseqüência da atos feitos sem pensar, mas que no fim levariam os dois ao exato lugar onde estavam. Apenas não importava mais.
Bernardo percebendo o mal entendido que havia ocorrido por Camille ter dormido em sua casa, tenta com pequenas palavras explicar a Valentina que o que ela havia imaginado não tinha lógica. Ele nunca tivera nada com Camille a não ser amizade.
Na rua as árvores estavam com as folhas verdes e bem floridas. Alguns pássaros cantavam, quebrando assim o silêncio que havia tomado conta. A algum tempo atrás eram apenas amigos, depois apenas mais um simples casal de namorados. Hoje, dois jovens que ainda se amavam. Fugiram por tanto tempo, esforçando-se para esquecer o passado. Apagar de suas memórias aquilo que haviam vivido juntos. Só que mais uma vez o desejo ou destino - não sei - os colocou cara a cara. Respiravam devagar, paralisados. Os segundos pareciam inabaláveis. O olhar apaixonado com plena consciência de amor, desejo, sonhos, atos.
- Perdão por ter deixado passar tanto tempo. Eu sempre pensei que...
As próximas palavras de Valentina foram sufocadas por um longo beijo. Beijo esse que lhe fazia falta a tempos. Ela já havia até esquecido de como era boa a sensação de estar nos braços de Bernardo . O jeito e o cheiro e a luz e o som e o mundo pareciam ter deixado de existir em um segundo infinito de silêncio. Após o beijo, todo o desenho, cada traço e até aquele tom rosado da boca era perfeitamente angelical, o leve sorriso iluminava tudo ao redor.
Começaram a caminha em direção a casa de Bernardo, falavam de coisas que deixaram de viver. Para ela, parecia que aquele era o dia mais feliz da sua vida. Valentina estava feliz de corpo e alma.
- Aqui estou eu, mais uma vez! Vejo você amanhã? - diz Valentina ao se dar conta que já haviam chegado a casa de Bernardo.
- Valentina, acho que não.
- Não? Mas como você...
- Eu vou viajar amanhã. - ele a interrompe.
- Como assim viajar?
- Vou aproveitar que Camille está moramdp aqui em casa enquanto o apartamento dela esta em obra e vou fazer uma viajem.
- Eu, eu vou com você!.
- Eu, eu te... - e meio a tantas lágrimas Bernardo não consegue terminar sua frase.
- Como pode? Me diz como você pode fazer isso comigo, e aquele beijo, aquelas palavras, como pode me amar se mais uma vez vou ter que vê-lo partir? - Valentina tomara força de onde nem sabia que havia. Jogou o mp4 com tanta força no chão que os pedaços do "mini-rádio" explodiram, ficando todos espalhados pelo chão.
- Eu preciso ir, você precisa me entender.
- Que ir? Então vai.
- Valentina, eu te amo.
- Não ama. - ela o corrigi.
- Um dia quem sabe você me entenda.
- Não vou.
E essa foi a última vez que Bernardo escutou a voz de Valentina. Ao chegar na esquina Valentina se vira e fixa os olhos bem nos olhos do amado. Não era preciso dizer mais nada, aquele olhar já dizia tudo "adeus".
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